Alternativas
Os
fanzines invadem as universidades
Esquecidos por alguns anos, hoje os zines são utilizados como método alternativo de Trabalho de Conclusão de Curso, Pós-graduação e Mestrado.
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| jornalista e fanzineira, Karina Francis |
Considerado
uma publicação feita por fã, o termo fanzine vem da contração das palavras inglesas “fanatic maganize”, sendo literalmente traduzido como “revista do
fã”. Além de ser importante culturalmente, o zine se tornou uma das principais
ferramentas utilizadas pelos universitários. Isso ocorre por causa de seu
formato livre, que dispensa as amarras de outros tipos de trabalhos acadêmicos
Em seu Trabalho de
Conclusão de Curso, a jornalista, formada em 2010, Karina Francis, utilizou o fanzine, pois queria trabalhar com um
material, diferente. Dessa forma, optou também por um tema que se encaixasse
com a proposta dos zines: Música Independente Na Contemporaneidade. “Meu contato com os fanzines aconteceu há anos, quando participei de uma oficina. Além
disso, sou fanática por música independente, e sempre gostei de pesquisar sobre
este universo. O fanzine serviu como
um veículo para divulgar minhas próprias histórias”, ressalta.
Karina ainda destaca como
foi a aprovação dos professores diante do veículo escolhido. “No começo foi complicado, alguns professores
desconheciam a importância histórica do fanzine,
e por isso, não davam tanta credibilidade para o material. Entretanto, na UMC
fui a primeira a produzir um zine,
porém em outras Universidades é um produto comum, seguindo até mesmo para a
linha de pesquisa”, destaca.
“O fanzine pode ser uma publicação impressa, um vídeo ou um áudio. O que
vale é comunicar!”
De fato, é
possível perceber que várias iniciativas importantes surgiram para ajudar a
movimentar o cenário dos fanzines,
não apenas como interesse dos acadêmicos em inovar os meios de aprendizagem nas
universidades, mas também como meio de divulgação.
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| Gazy Andraus, Fanzineiro, coordenador e professor |
Nele, dentre
vários artigos, Gazy escreveu junto ao amigo e agora professor da Universidade
Federal da Paraíba, Elydio dos Santos Neto um texto, “Dos Zines aos BiograficZines: Compartilhar Narrativas de Vida e
Formação com Imagens, Criatividade e Autoria”, que justamente é fruto de uma experiência em sala
de aula universitária e de pós-graduação no mestrado em pedagogia na
Universidade Metodista de São Paulo.
A ideia empregada
era aquela defensora de que os professores devem trabalhar o autoconhecimento,
e para isso, nada mais positivo que entender e criar seus próprios fanzines colocando neles textos,
sentimentos e imagens de sua própria experiência de vida. “Os cursos foram um
sucesso e os alunos se espantaram também com as possibilidades criativas que
podem desenvolver, e de poderem criar uma revista própria, independente, e com
conteúdo biográfico riquíssimo, que os alerta também a saberem como chegaram a
serem humanos que são, sensíveis, e também profissionais”, ressalta o
fanzineiro, Gazy.
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| Professora de Educação Infantil, Fabiana Menassi |
A desvantagem, na
verdade é um receio pessoal, de que os professores monopolize o fanzine e o torne científico demais,
dando a ele regras, que poderá dificultar o seu acesso à muitas pessoas. “A
minha crença é de que muito do que se torna acadêmico fica menos acessível,
mais técnico, e às vezes, até perde o encanto. Enfim, não custa nada
tentar e conferir os resultados. Que os fanzines
entrem nas universidades, assim como toda a cultura independente”, finaliza
Fabiana.
A nova geração de fanzineiros
A partir do momento em que os fanzines
se espalham nas Universidades é notório a criação de novos trabalhos. Dessa
forma, surgem novas opiniões, bem como novos fanzineiros, como o caso da jornalista, Karina Francis e a estudante
do 1° ano de jornalismo, Jéssica Almeida.
Após a produção do fanzine
sobre músicas independentes como Trabalho de Conclusão de Curso, Karina fez um
site para continuar suas publicações. “Hoje, a influência dos zines na minha via é total. O Rockzine ultrapassou as paredes da
universidade e está na sua terceira edição. Além disso, estou ampliando esse projeto na pós-graduação
que estou cursando e pretendo continuar pesquisando esse tema”, conta.
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| Estudante do 1° ano de Jornalismo da UMC |
Jéssica, conta que seria interessante se houvesse na grade de
disciplinas, aulas sobre zines. “Eu ia adorar, os professores vivem
falando que nosso texto no 1º ano é muito castrado, deveriam então estimular
ainda mais esses projetos alternativos. E, poderia também ser um meio de
estimular a leitura e a escrita”.
Além da importância, Jéssica ainda revela algumas dicas de como o
material poderia ser divulgado para o público universitário. “Poderiam ser
feitas campanhas explicativas (porque muitas pessoas não sabem o que é) e
através dos próprios fanzines, nos quais a galera pudesse interagir.
Enfim, é preciso divulgá-lo entre
os meios que estiverem ao alcance”, finaliza.
Mas, afinal, o que é Fanzine?
De acordo com o Professor e Doutor, Henrique Magalhães os fanzines
são pequenos boletins de fãs, surgiram nos Estados Unidos na primeira metade do
século XX, tornando-se o veículo dos novos autores da literatura popular.
Os primeiros zines brasileiros surgiram em meados dos anos 1960, tendo como
pioneiro Ficção , lançado por Edson Rontani em
1965, em Piracicaba, SP. Foi nessa época que começaram a circular os boletins
amadores com anúncios de troca e venda de revistas, críticas e comentários
sobre as histórias em quadrinhos.
Muitos
estudiosos, como Gazy Andraus, defendem que: “esse veículo de comunicação deve
possuir apenas textos, informações e matérias sobre um determinado assunto”,
ressalta.
“São vários os
motivos que levam uma pessoa a fazer um fanzine, o que está na origem do seu
surgimento é o fato da pessoa ser fã de algum assunto e querer manter contato
com outros.”
Além disso,
Henrique Magalhães aponta as principais características de um fanzine como interesses por assuntos
estranhos ao grande público, a utilização do humor ácido, a criação de
narrativas surreais, e a despreocupação com a autoria dos materiais empregados
em sua composição.




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